Saiu na mídia: 11º For Rainbow começa hoje (OP)
09/11/2017

Saiu na mídia: 11º For Rainbow começa hoje (OP)

11º For Rainbow começa hoje, no Centro Dragão do Mar
A partir do For Rainbow, que começa hoje, o V&A traz análises sobre diferentes campos de discussão da diversidade sexual

01:30 | 09/11/2017
JOÃO GABRIEL TRÉZ

Dando visibilidade e celebrando as diversidades, o For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual chega hoje à 11ª edição. O evento ocorre no Dragão do Mar com programação dividida entre espaços do centro cultural. Os 32 filmes selecionados serão exibidos na sala 2 do Cinema do Dragão, em diferentes horários. Já as apresentações de artes cênicas e música ocorrem entre a Arena Dragão (embaixo do planetário) e o teatro.

Mesmo com mais de uma década de história, o For Rainbow encontrou problemas financeiros nessa edição. Segundo Verônica Guedes, diretora do evento, o apoio do Governo do Estado só deve ser repassado após a realização do festival. “A burocracia, que independe da boa vontade desse ou daquele gestor, acaba atrasando (o apoio) e a gente recebe depois. Quando não se tem patrocínios, é quase inviável. No nosso caso só não está sendo por conta da ajuda braçal e financeira de amigos, empréstimo de equipamentos, trabalho solidário”, explica. “Hoje, temos ainda apoio de empresa que não quer se identificar. O momento está complicado, vemos manifestações fascistas em debates, exposições. Isso exige que a gente não se cale e não deixe os espaços que conquistamos”, instiga Verônica.

A importância de discutir a diversidade sexual em diversas esferas, então, se revela cada vez mais essencial. O Vida&Arte convidou três mulheres - duas diretoras e a protagonista de um dos filmes - para refletirem sobre a discussão dessas pautas para além do evento, mas também na política, na educação e no jornalismo.

Diversidade sexual no ambiente educacional, por Bruna Benevides
01:30 | 09/11/2017

Cada vez mais se torna difícil para a população de travestis e transexuais ser inserida nos espaços formais de ensino devido a projetos como o Escola sem Partido e a negação de discussões sobre gênero e sexualidade nas escolas. São projetos que não reconhecem a existência de nossa população, as especificidades de nossas vidas como sendo legítimas e a possibilidade de estarmos disputando em pé de igualdade os mesmos espaços que nos vêm sendo negados historicamente pelo preconceito e pela discriminação.

É importante discutir nas escolas sobre a diversidade sexual e de gênero, a fim de minimizar o bullying homotransfóbico, as violências físicas, simbólicas e psicológicas a que estamos submetidas. Não falamos apenas de incluir, mas fortalecer essas meninas e rapazes para que consigam se manter nas escolas e, caso desejem, na universidade.

Um desafio que vem sendo conquistado através de metodologias de ensino alternativas, que trabalham a auto-estima, o empoderamento e a autonomia do sujeito ao se deparar com a possibilidade, outrora perdida, de concluir o ensino superior nesses espaços que ainda hojenão estão preparados para receber nossos corpos. E é por isso mesmo que resistiremos!

Bruna Benevides é transativista, coordenadora do PreparaNem Niterói (projeto de cursinho gratuito para travestis e transexuais) e protagonista do curta Prepara!, de Muriel Alves

Diversidade sexual na pauta jornalística, por Lívia Perez

O Brasil é um país cujos meios de comunicação estão extremamente concentrados. Rever a história da imprensa alternativa é também refletir sobre essa concentração que acaba por não reproduzir a diversidade do nosso país, inclusive a diversidade sexual. “É preciso dizer não ao gueto e, em consequência, sair dele. O que nos interessa é destruir a imagem-padrão do homossexual, segundo a qual ele é um ser que vive nas sombras, que prefere a noite, que encara sua preferência sexual como uma espécie de maldição”. Esse é o tom do editorial da primeira edição do jornal Lampião da Esquina (publicado no final da década de 1970) e que indica claramente a intenção de instaurar um debate sobre diversidade sexual na imprensa brasileira. Neste sentido, Lampião foi um jornal que representava uma possibilidade de mídia alternativa e que pautou, de forma pioneira, muito do que ainda estamos discutindo hoje. Temas que ainda enfrentam resistência, - principalmente com as ondas de conservadorismo como liberação sexual, feminismo, aborto, legalização das drogas, racismo-, figuravam nas páginas do jornal e isso foi fundamental para que os veículos de comunicação hegemônicos também se abrissem para essas pautas.

Lívia Perez é diretora do longa Lampião da Esquina