Saiu na mídia: Arco-íris mais politizado (DN)
08/11/2017

Saiu na mídia: Arco-íris mais politizado (DN)

Arco-íris mais politizado

Começa nesta quinta (9), no Cinema do Dragão, a 11ª edição do festival For Rainbow, sobre diversidade sexual

08.11.17
por 
Iracema Sales - Repórter

O discurso político dará a tônica da 11ª edição do For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, cuja abertura acontece nesta quinta (9), às 19h, no Cinema do Dragão. A apresentação do filme "Meu corpo é político", de Aline Riff, inaugura a mostra competitiva do evento, que prossegue até dia 15 deste mês. A trama denuncia a situação vivida por pessoas trans dos gêneros masculino e feminino na periferia de São Paulo, conforme explica Verônica Guedes, cineasta e diretora executiva do festival.

Mesmo diante de cenário adverso - "não conseguimos captar nada", confessa -, ela festeja o reconhecimento do For Rainbow, expresso nas 1.283 inscrições recebidas de diretores brasileiros e de várias partes do
mundo. Para o festival, que está sendo realizado com orçamento enxuto, estimado em R$ 200 mil, foram selecionadas 32 obras, sendo 21 curta-metragens e seis longas, abordando diversas temáticas relacionadas ao universo LGBT. A diretora reclama da burocracia do Estado, que consegue barrar até a boa vontade dos gestores. "As empresas escolhem o que fazer com o dinheiro do Estado", denuncia Verônica Guedes, em
referência à Lei do Mecenato estadual, que trabalha com renúncia fiscal.

"Para o For Rainbow, é sempre não", argumenta. Até o momento, ela espera o apoio prometido pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE). A preocupação é saber quando irá receber "o apoio que pode se consolidar em dezembro ou janeiro". Nesse momento, agradece a ajuda de amigos e a solidariedade em um momento sombrio.

Resistência
O tema da 11ª edição do For Rainbow é "Amo quem eu quero, faço uma revolução", trazendo embutidas discussões pertinentes ao atual momento vivenciado pela sociedade brasileira. Em uma programação que mistura reivindicação política e festa, a diretora destaca as mostras "Queer" e "Lilás". Na primeira, serão apresentados filmes que discutem o uso do corpo como expressão artística e política, enquanto a segunda, criada no ano passado, explora a temática lésbica. Os filmes, longas e curtas-metragens, que participam da competitiva internacional, concorrem em 13 categorias. Aos vencedores é concedido o troféu Elke Maravilha; já os homenageados recebem o troféu Arthur Guedes.

Verônica Guedes admite ter dificuldade para conseguir empresas dispostas a apoiar o For Rainbow, evento de natureza independente. Neste ano, a situação piorou, mas "iremos fazer com ou sem apoio, e a programação estará mais politizado do que nunca". A ideia é que o festival sirva de arena para artistas e jovens da periferia
de Fortaleza, mulheres e negros - considerados os mais afetados pelo que chama de "onda fascista" que vem assolando o País nos últimos meses.

"Será a festa da resistência", comemora a diretora, revelando que, ao longo dos 11 anos de trajetória, o For Rainbow nunca foi contemplado por edital, embora reconheça os apoios da Prefeitura e do Estado. O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) oferece o local para a realização - sala de cinema, arena e teatro.
Após a exibição do filme "Meu corpo é político", está marcado um debate com Dediane Souza, titular da coordenadoria da Diversidade Sexual da Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social
(SDHDS) da Prefeitura de Fortaleza, e o produtor Heverton Lima. 

Atividades
Durante uma semana serão exibidos filmes de diretores nacionais e estrangeiros, que relatam vivências e o cotidiano de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no Brasil e no mundo. As inscrições para participação são feitas mediante plataforma internacional, principalmente pelo famoso "boca a boca" - já que não há suporte financeiro. Os filmes selecionados também estarão sendo exibidos em 250 locais
pelo Brasil.

Na capital cearense, 20 bairros contarão com mostras educativas, que acontecem em terreiros de umbanda, quintais e outros espaços alternativos. Mas a proposta do For Rainbow vai além da exibição de filmes, incluindo debates, lançamentos de livros, apresentações de teatro e música. A peça "Histórias compartilhadas", do ator Ari Areia, o espetáculo carioca "Le Cirque de La Drag", um show humorístico com Deydianne Piaf, festas com DJs convidados e performances de artistas transformistas da boate Divine completam a programação.

A curadoria é assinada pelos cineastas Janaína Marques e Arthur Leite. Na terça (14), às 14h, será promovida uma sessão fechada para internos trans de presídios de Fortaleza, no Cinema do Dragão. O evento termina na quarta (15), com a cerimônia de premiação e entrega dos troféus aos vencedores, seguindo do show "Fora Temer, volta Divine".